Maria dos Santos conseguiu ser juíza antes dos 30, foi a primeira da sua família a fazer faculdade,  além de exercer como juíza fazia trabalhos voluntários para ensinar os direitos das mulheres.
Ela era o que a sociedade classificava como uma mulher de sucesso, financeiramente independente, além de casa e carro próprio ela tinha também investimentos em ações. Realizou o sonho de muita gente de conhecer o mundo, tendo visitado todos os continentes a lista de países que ela conheceu já passava dos 50. Se posicionava perante causas sociais, viajava, festejava, ia museus, gostava de animais, como diria Charlie Brow, ela era o bicho.
Entretanto, Maria não se sentia assim, e toda vez que ela olhava no espelho, não via a si, mas um defeito, alguns que eram apontados pelas influências que ela seguia, outros por pessoas que embora não fossem juízes como ela, eles se sentiam no direito de julgar os outros. 

Foi então que Maria, para começar a sentir melhor com sigo mesma começou a realizar inúmeros procedimentos estéticos, que começaram de forma não tão invasiva mas que terminaram por invadir todo o seu ser, e ela acabou não sobrevivendo a cirurgia estética que se submeteu.

Essa é não é uma história real, mas poderia ser. 

Estética 

A estética no design é um tema abordado na relação das pessoas com o artefato, compreende-se que a forma influencia na função, pois é o significado que o objeto tem para gente que direciona o uso. Um exemplo disso, são os objetos que não cumprem com a função pelo qual foram projetados, por exemplo, quando utilizamos uma cadeira como escada, ou quando objetos exercem apenas funções decorativas. Trabalhar as questões de forma nos objetos é fundamental para que eles possuam significado na vida das pessoas, influenciando no descarte, no tempo de uso e em outras dimensões. A estética tem sua função para objetos.
 

E quando se percebe a mulher como um objeto a estética é essencial. Para que a mulher possa cumprir sua função tal como um objeto, ela tem que mudar sua forma, pois, o significado que direciona o uso que ela tem, a função natural do corpo não importa. E dentro da nossa sociedade, o objeto mulher está em constante recall, de problemas criados, de soluções impossíveis, de padrões de qualidade inalcançáveis. 

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